“007 Sem Tempo Para Morrer” nos cinemas

007 Sem Tempo para Morrer, do realizador Cary Fukunaga, parece ser um filme que não quer perder tempo.

Um flashback expõe o terrível passado de Madeleine Swann (Léa Seydoux). Muito rapidamente transita para um ambiente tranquilo, de férias na Itália. E ainda mais rápido, a agitação regressa. Explosões e uma intensa perseguição pela ruas estreitas de Civita Lucana (cidade fictícia), com o característico Aston Martin de Bond, culminando na morte de inúmeros agentes Spectre. A verdadeira consequência, e o prémio inesperado dos vilões: a confiança que Bond tinha por Madeleine ficou abalada.

Pouco depois dos eventos em Itália, Bond reforma-se. 

Troca o fato e gravata por camisas havaianas e praias paradisíacas da Jamaica. Passados cinco anos de reforma, Bond é chamado de regresso à ação pelo seu amigo da CIA, Felix Leiter. Um cientista foi raptado, juntamente com uma arma extremamente perigosa. E para tornar tudo mais interessante, uma nova agente “00” junta-se à investigação do caso. Como seria de esperar perante a reforma de Bond, o seu título de 007 acabaria por ser entregue a outro agente. Quem teve as honras é Nomi (Lashana Lynch), uma agente extraordinária.

Embarcamos numa jornada pelo mundo dos espiões, repleta de segredos, traições e engenhocas, assumindo-se como o melhor filme da saga Bond desde Casino Royale. Um final adequado para o período de Daniel Craig na pele do mais conhecido agente de Sua Majestade.

Acção

As cenas de ação mantém a qualidade espetacular dos filmes anteriores. As cenas de perseguição em alguns aspectos acabam por ser mais emocionantes e brilham pelo realismo que apresentam no ecrã. Muito mais real que um determinado franchise focado em carros. 

Nomi (Lashana Lynch) ao lado de Madeleine (Léa Seydoux)

O elenco é de luxo, como não poderia deixar de ser. Composto por nomes muito famosos e de trabalho consagrado. Alguns regressam aos seus personagens, como Ralph Fiennes (que interpreta M), Ben Whishaw (Q) e Christoph Waltz (Blofeld, o líder da Spectre).

Outros têm aqui a sua estreia no universo de James Bond. Lashana Lynch interpreta Nomi, a nova agente “00”. Uma presença poderosa e extremamente convincente nas sequências de ação. Não consegue esconder o palpável desdém que a personagem sente ao início por James Bond. E a medida que a história avança é lentamente substituída por respeito. Ana de Armas, como a agente Paloma. Que apesar de pouco tempo de ecrã, esta nova Bond Girl, tem uma presença espetacular. Foge do padrão clássico das Bond Girl que estamos habituados a ver. É um pouco trapalhona, com pensamentos fora da caixa mas extremamente competente na hora de cumprir com a missão que lhe foi atribuída.

Ambas as atrizes têm um desempenho de tirar o fôlego em todas as sequências de ação, representam mulheres determinadas, fortes e tão capazes com a sua mente quanto com todas as armas de fogo que utilizam. 

Paloma (Ana de Armas) e Safin (Remi Malek)

Últimas palavras

Apesar de parecer que não quer perder tempo, 007 Sem Tempo para Morrer é um filme longo. É o mais longo até à data, chega às duas horas e quarenta e cinco minutos de filme. Parece muito tempo, mas é uma experiência plena. Está repleto de personagens interessantes e momentos icónicos do franchise. Como copos de Martini e a catchphrase: Bond, James Bond. 

Infelizmente o elo mais fraco das personagens é o supremo vilão. Por mim, esperava com o nível apresentado das novas personagens, que algo novo fosse feito em relação ao vilão, mas não. No entanto, Malek cumpre com tudo o que esperamos de um clássico vilão de James Bond: longos diálogos de exposição das suas motivações, um plano para dominar o mundo e uma super-arma à sua disposição. 

Além de muita ação, também é um filme com cenas bastante emocionantes principalmente ao chegar à reta final. É sem dúvida, uma despedida digna e bombástica de Daniel pelo percurso que acompanhamos desde 2006. O James Bond loiro e de olhos azuis vai deixar saudades.

Nota Final: 8.5/10