“O Último Duelo” – opinião

Scott Ridley adapta ao grande ecrã a obra literária de Eric Jager, O Último Duelo: Uma História Verdadeira de Crime. Retrata os acontecimentos históricos ligados a um caso de violação na França no séc.XIV. Depois de ter ido a tribunal acabou por ser resolvido através de um duelo até à morte. Considerado por vários historiadores como o último duelo judicial.

O caso em questão envolve Marguerite de Carrouges (Jodie Comer – Killing Eve, Free Guy), esposa de Sir Jean de Carrouges (Matt Damon – The Martian, Jason Bourne), que acusa o escudeiro Jacques Le Gris( Adam Driver – Star Wars, BlacKkKlansman) de a ter violado enquanto o seu marido se encontrava ausente em Paris. 

Mas o que torna esta adaptação especial? 

É importante ter em consideração que o tema sobre violação, poderá deixar algumas pessoas extremamente desconfortáveis. Principalmente numa altura em que os direitos das mulheres eram praticamente inexistentes, teve de ser representada em tribunal pelo marido ao acusar Le Gris. 

Scott Ridley separa a história em capítulos dedicados ao ponto de vista de cada uma das personagens, antes de continuar para o duelo que dá o título ao filme. 

Sir Jean e Margueritte

O capítulo I é dedicado a sir Jean de Carrouges. Ficamos a conhecer um pouco da sua personalidade e carácter tendo em conta a imagem que tem de si mesmo. É um pouco bruto mas é honrado, regrado. Crente e de origem nobre. Ele é quem faz a queixa formal, em nome da sua esposa. 

O capítulo II é dedicado a Le Gris o acusado. Ao contrário de Jean, é mais carismático, de origem humilde. É um homem que aprecia os prazeres da vida. Culto, com conhecimento em diferentes áreas do saber, como línguas e finanças. Jura pela sua honra que é inocente.

E o terceiro dedicado a Margueritte. Uma jovem diferente das outras, pois sabe ler e falar diferentes línguas. Algo que era raro para a época. Infelizmente vê a sua credibilidade como esposa ser questionada, por não conseguir conceber. Mesmo sendo uma mulher extremamente capaz em outros assuntos, como a gestão do lar. 

Quando o julgamento perante o Rei transita para um duelo até à morte, Margueritte arrisca-se a ser condenada à fogueira, caso o seu marido perca e assim seja provada a inocência de Le Gris.

Começa o duelo entre Jean e Le Gris

O ponto de vista de cada personagem difere ligeiramente um do outro. Mesmo nas mesmas cenas, como por exemplo Sir Jean, vê-se como uma pessoa amorosa e carinhosa para Margueritte. Que é exatamente o oposto da perspectiva que ela tem dele. Para ela, ele é rude e pouco simpático. 

Estas subtis mudanças de perspectiva criam momentos perplexos, poucos claros sobre quem está a dizer a verdade e obrigam a prestar atenção até ao fim para não perder nenhum detalhe.

O elenco fez um trabalho fenomenal em vender as suas personagens ao público. Capaz de criar laços emocionais que tornam difícil “odiar” a 100% cada um deles por mais defeitos que apresentem. 

Além da performance dos atores, o realizador também merece todo reconhecimento não só por ter recriado um julgamento tão tenso, mas também um dos combates mais terra-a-terra, e brutal que assisti recentemente no grande ecrã.

Sem querer ser picuinhas, ao início foi um pouco estranho ouvir todas as personagens falarem inglês ao invés de francês. Sendo a história passada em França. Mas esta sensação ficou esquecida assim que a história começou a progredir. 

O Último Duelo é um filme que vale a ida ao cinema. Para uma experiência cheia de emoções e momentos de reflexão. 

Nota final: 8.5/10